segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Próxima vez.

 













Quando coisas improváveis acontecem. A reação segura não é a imediata.
Se ele bater na porta dela hoje, as lágrimas não podem cair. Ela tem se preparado há meses pra não deixar isso acontecer.
Mas o sorriso dele não consegue ser tão perfeito na imaginação dela. O que torna as coisas difíceis nos feriados.
Ela mal sabe quanto tempo aquele coração ainda vai suportar. Apenas acompanha os ‘tiques’ do relógio que parecem prolongar o tempo, deixando o tédio aparecer à beira da angústia que ela não consegue afastar.
Não há marcas da última vez, tudo se foi quando ele fechou a porta.
Já faz muito tempo.
As maiores lembranças não estão espalhadas pela casa. Ela tem o sorriso dele quando se lembra, parece o suficiente.
Desceu as escadas ainda vestindo o casaco. E ao passar diante da janela duas coisas fizeram seu coração disparar: o carro preto parado em frente à casa, e o toque da campainha.