sexta-feira, 8 de abril de 2011

Desgaste ininterrupto.









Depois do quinto cigarro ela precisava reagir. Uma reação repetitiva.
As mãos tremiam sempre como se fosse a primeira ligação.
Ele não atendia. Ele nunca atendia.
Como uma segunda reação já era hora de tirar a roupa molhada e vestir algo seco. Já era hora de tirar a roupa. Tempestade.
Ele nunca abria a porta.
Não era um vestido qualquer, ela vestia lembranças.
Recomeçou a contagem. Mais um do estoque de falsa anestesia.
Fogo. Apagado.
Colecionadora de ligações, visitas, cigarros fumados. Colecionava descaso.
Sabia o que era amor-próprio, sabia que nada anestesiaria, só chegou ao estágio do “tanto faz”. Apenas recordações faziam diferença pra ela.
Vestida como naquele dia. Parada em frente ao número 104 como naquele dia. Como todos os dias.


6 comentários:

  1. Isso é uma persistência sem tamanho hein? Mas analisando o texto (como se eu fosse boa nisso), o cara não está interessado na garota, ela devia com certeza partir pra outra ou ter coragem suficiente pra ir mais alto, não só ficar na porta do apartamento..rs
    Gostei muito do texto, assim como os outros. Você escreve muito bem. Beijos.

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  2. É, mas na verdade nós não sabemos qual a razão dessa situação, e isso torna difícil um julgamento, já que existem inúmeras possibilidades.
    E muito obrigada, mesmo. Também acho que você escreve muito bem.

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  3. Adorei seu texto, moça. Fique sabendo que aparecerei mais vezes por aqui. Um beijo grande e um abraço apertado, @pequenatiss.

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